terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Amy Winehouse makes me wanna smoke crack

“Por que você pagaria para me ver numa jaula que alguns chamam de palco?” é a pergunta que saiu do primeiro single do Babyshambles, banda liderada pelo ex-Libertine e atual colega de apartamento de Amy, o doidão Peter Doherty. A frase me veio à cabeça na primeira noite de shows da cantora no Rio. Esses dois devem passar as noites batendo longos papos sobre suas carreiras (com duplo sentido, claro).


A imprensa brasileira imprimiu que Amy é o Tim Maia britânico, que o show dela é imperdível, que ela é genial. Todas as matérias começam do mesmo jeito: falam do talento, das confusões, da oportunidade de volta por cima diante do público brasileiro. Mas o que se viu ontem numa arena lotada estava longe de ser a volta por cima. Foi só mais uma das cambalhotas de uma carreira muito irregular nos palcos.

A voz estava razoável, bem longe da apresentação-desastre em Lisboa. Os tropeços enquanto caminhava pelo palco eram visivelmente ensaiados e foram um tanto ridículos. Sua banda ficou perdida mais de uma vez com os já previsíveis imprevistos. Amy é um personagem que sai do palco a qualquer momento, que pára de cantar para rir e que, na frente de milhares de pessoas, apareceu para cumprir tabela e ficar em cena o mínimo de tempo previsto no contrato que assinou. Depois dos 10 primeiros minutos, tudo foi esquecível.

Seria memorável se ela tivesse abandonado o palco na quarta música para não voltar. Deixaria um público muito irritado, mas teria feito um bom show e eu veria minha grana de volta. Em vez disso, se arrastou por mais 40 minutos e deixou pra trás um público se sentindo culpado por ter aparecido numa noite chuvosa e em um local de show tão distante para ver uma versão sem graça das suas músicas e dos seus tropeços. Ninguém ensaiou nem uma vaia e, no fim das contas, Amy fez o que se espera dela. E o que se espera dela é muito pouco.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Acredita?

Se os caras acreditam, quem sou eu pra dizer o contrário?



Abraços!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O roteiro água com açúcar do Belle & Sebastian

Na última sexta, o Belle & Sebastian provou em menor escala o que a turma do Franz Ferdinand já havia assinado em 2006: o Circo Voador é o lugar ideal para que se tenha uma ótima impressão do público carioca. Se tivesse tocado num ClaroHSBCArenaHall da vida, a banda veria 1.500 num lugar onde cabem 10.000 cabeças. REM, com seus quase 30 anos de carreira, passou por isso quando pisou em Jacarepaguá.

Mas por que "provou em menor escala"? Porque o Belle & Sebastian é uma banda legal, competente ao vivo, vem e faz o show que se espera da banda. E só. São excelentes no palco, interagem bem com o público - apesar dos desnecessários momentos estilo show da Xuxa com "vamos todos dançar em cima do palco". O fato é que o BS é aquela banda ótima para você incluir numa coletânea para sua namorada (alguém ainda grava coletâneas além de mim?). Na verdade, eles nem são mais uma banda: são uma categoria. E em certos momentos isso incomoda por não dar espaço às mudanças, por deixar a banda meio preguiçosa e pouco inventiva.



E, lógico, o público do BS é igual. O que se espera ver num show da banda? Meninas suspirando, casais moderninhos em transe, gente um pouco mais tímida nas músicas novas e berrando nos clássicos, um cartaz com um rapaz pedindo a moça em casamento (é bonito, tudo bem, mas você já viu isso antes - e a noiva também!). Tudo isso é parte da categoria Belle & Sebastian. Uma falta de imaginação que se confunde com inocência, uma preguiça que se confunde com tranquilidade.



Foi um bom show, bem executado, com som bem equalizado e uma banda afiada... Mas com a impressão de ser ensaiado demais. Nada sai da ordem na casa do Belle & Sebastian. É uma pena. O Circo Voador é um lugar onde as bandas podem fazer um show histórico na frente de um público intimista e animado. Fizeram um show legal, mas perderam a chance de sair do roteiro e se divertir junto com um público que eles já tinham ganhado de antemão e que iria com a banda para qualquer lugar além da falta de imaginação.

domingo, 10 de outubro de 2010

SWU + Pixies na Argentina

Apesar dos diversos momentos de encheção de linguiça protagonizados por apresentadores totalmente sem experiência com programas ao vivo, o Multishow fez uma boa transmissão do primeiro dia do SWU. Bastou  exibir os shows sem que o canal aparecesse mais que o evento. Um problema que a Globo nunca conseguiu resolver.

Lembro de um clássico do Hollywood Rock 93, quando a apresentadora Maria Paula ocupava 2 minutos de transmissão para passar informações vazias e entoar um discurso de fã de última hora e, ao fundo, de background para o falatório da moça, se apresentava o Nirvana pela primeira (e única) vez no Rio! Dá pra imaginar o desespero das milhares de pessoas que estavam gravando o show da banda porque não conseguiram comprar o ingresso?

No final da transmissão de ontem, o Multishow acabou cometendo um atentado e cortou o show do Rage Against The Machine no meio. Provavelmente a culpa não foi do canal. Deve ter sido algum acordo com os organizadores do festival. Mesmo assim, foi totalmente empata-foda.

***

Mudando de assunto, na última semana estive na terra dos nossos hermanitos. Cruzei com a banda que eu considero ser a maior atração do SWU: Pixies, ao vivo, num Luna Park lotado. Ingressos esgotados semanas antes e eu só entrei porque tinha comprado meu ticket pela internet no final de julho. A verdade é que não tem pra Kings nem Queens, a realeza desse festival se apresenta na segunda-feira, dia 11 de outubro, às 22:30. Esteja na frente da TV!

E pra dar uma beliscada...



Que público foda, rapaz! A baixista Kim Deal era só sorrisos... E eu ali no meio.



Foi uma hora e meia de tapa na orelha sem parar. Chegou a assustar alguns desinformados que só foram pra ouvir "Here Comes Your Man".



O ingresso já foi pra coleção.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Domesticado

Uma mania que eu tinha nos anos 90 voltou com força: agora ouço rádio todos os dias. Andava muito ligado no iPod e estava começando a enjoar. Você geralmente sabe tudo o que está nas suas playlists. Tirando as vezes em que você dá um shuffle e descobre aquele disco que você baixou mas negligenciou, não há espaços para surpresas no mp3 player.

No dial carioca a melhor continua sendo a Oi FM. Sem concorrência. Tem altos e baixos, mas consegue tocar música bacana quando você está no engarrafamento e até mesmo no meio da tarde. Infelizmente, se aventurar nas emissoras vizinhas é como colocar a mão no fogo: você não aguenta nem por 3 segundos. Por conta disso, andei catando algumas rádios pela web e esbarrei com coisas muito bacanas.

Oui FM: é uma rádio francesa e suas 5 emissoras sempre têm algo bom no ar. Toca pouca música francesa (uma pena) e muita coisa britânica. Os caras tocam The Rakes direto. Já me ganharam. Dá pra descobrir bons sons e sempre rolam surpresas como Darwin Deez e sua ótima "Radar Detector".

KEXP: a rádio de Seattle já é bem conhecida ao redor do mundo. É mantida no ar por doações dos ouvintes e tem uma programação simplesmente foda. Os caras tocam de tudo, de qualquer parte do mundo. Na programação sempre rolam muitas versões ao vivo que as bandas gravam nos estúdios da rádio. É perigoso sintonizar de manhã porque você vai acabar se atrasando para sair de casa e ir trabalhar. Ainda mais quando os DJs estão inspirados e colocam uma música boa atrás da outra. Eu não tenho coragem de desligar.

Soulful Bits: conheci há pouco tempo, mas já é uma das minhas prediletas. O nome diz tudo: você passa o dia acompanhado por Otis Redding, Nina Simone, Sharon Jones e milhares de nomes da soul music de todas as décadas. Gente da qual eu, você e aquele seu amigo que entende pra cacete de música nunca ouvimos falar. É um som do caramba!

O melhor de tudo é perceber que levar suas músicas no bolso é legal, mas só ouvir as suas playlists te deixa um tanto "domesticado".

domingo, 18 de julho de 2010

40 minutos

No melhor estilo "gravando uma fita para os amigos", lá vai uma seleção de 40 minutos com muita coisa que já passou por aqui. Não chega a ser uma coletânea para fazer todo mundo dançar, mas é o suficiente para esperar a cerveja esfriar e animar a turma enquanto os amigos vão chegando.

No cardápio tem The Radio Dept. (logo na abertura), The Pains of Being Pure at Heart, Julian Casablancas, Lemonheads, Elastica e assim vamos muito bem...

PS: Rock For Masses está de volta. Só checar a coluna aí do lado.

sábado, 19 de junho de 2010

Hermanitos en vivo


Segunda-feira tem Chile vs. Suíça, às 11:00. A desculpa mais esfarrapada do mundo para tocar Los Bunkers! Aumenta o som...

sábado, 5 de junho de 2010

Estatísticas

Pegando carona ainda no último post, li em alguns blogs sobre a fria recepção ao novo disco do Stone Temple Pilots (capa abaixo). Mas, peraí, acho que eu não entendi. Estamos falando em número de vendas? Cá entre nós, algum disco causa fila na porta das lojas desde que o mp3 se espalhou pelo mundo? Pior ainda: alguém mais consegue achar uma loja de discos para fazer fila na porta hoje em dia?


É triste, mas é verdade. As coisas mudaram. Situações como essa do vídeo abaixo nunca mais vão se repetir.


Hoje temos mais informação e menos apego a ela. Para muitas pessoas, ficar uma semana ouvindo apenas um disco é como voltar a 1991, quando os figuras aí de cima fizeram fila na porta de uma loja para comprar o então novo álbum do Guns N' Roses à meia-noite. É uma pena, mas as coisas são assim. Usar parâmetros da década passada para avaliar se um lançamento foi bem ou mal é inútil. Qual foi o impacto real do disco do STP? Qual foi a audiência real do último capítulo de Lost? Quantas pessoas viram o novo clipe da M.I.A? Os fanáticos por estatísticas vão ficar loucos. Não dá mais para saber.

E já que os boatos dão conta de que eles estão vindo por aí:

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Pirates & Pilots

Dica excelente do nosso amigo Fernando Cabrita, do Orelha Extra. Tá com o inglês em dia? Clique na tela abaixo para assistir decentemente na versão widescreen.


O sujeitos estão voltando com tudo. Disco novo, turnê nova. Imagina isso numa sexta à noite, lá no Circo Voador, depois de um cachorro-quente e umas cervejas...

domingo, 2 de maio de 2010

Só pra constar

Ainda nessa semana o blog volta à ativa após um longo hiato (e às vésperas de completar dois anos no ar). Vamos compensar esse silêncio quebrando tudo, tal qual nosso amigo Julian. Até!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Aos que não mais existem

Muita gente pode dizer que o Rakes era uma banda dispensável. Muitos críticos adoram escrever o obituário de mil bandas dizendo que elas só vieram ao mundo para fazer o que outros já tinham feito antes. A pergunta é: que importância isso tem se você gosta do som dos caras? Por essas e outras, evito discutir gosto em geral. Eu curto bandas que muita gente acha uma droga e, por outro lado, não consigo entender a idolatria em torno de alguns artistas, mas respeito.

Eu evitei ouvir os outros dois discos do Rakes porque fiquei viciado no primeiro álbum, Capture/Release. Esse disco conseguiu congelar o zapping no meu mp3 player. Eu não procurava mais nada. Só apertava o botão e o disco do Rakes já estava no ponto. Por isso, confesso, fiquei um pouco triste pelo fim da banda. Os caras estiveram no Rio uma vez, tocando o disco que eu tanto gosto, mas rolou desencontro: só fui conhecer a banda 3 anos depois. Agora, como diz o último tweet dos caras, "The Rakes are no more".

Numa homenagem tardia ao ótimo trabalho da banda, seguem os outros dois álbuns (que estou ouvindo agora, enquanto posto). Velho esquema: clique nas capas.

Ten New Messages (2007)


Klang (2009)

sábado, 20 de fevereiro de 2010

You never know, my sweet Lord

Faz uns 2 meses que essa faixa entra em todas as minhas playlists. Já tem um tempo que eu não cismo com uma música dessa maneira. "You Never Know", diretamente do último disco do Wilco:


Sentiu a homenagem nada discreta a George Harrison por parte da turma do Wilco? Genial...

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O ataque dos vikings

Ótima coletânea só com bandas suecas. Dá uma olhada na lista dos ilustres desconhecidos.


Música / Artista:

Lost - The Mary Onettes
Subtle Changes - Sambassadeur
M.A.G.I.C - The Sound of Arrows
Jesus, Walk With Me - Club 8
Pulling Our Weight - The Radio Dept.
Seconds Away - The Legends
I Wanna Be Like Johnny C - Loveninjas
Happiest Times - Little Big Adventure
1983 (Pelle & Sebastian) - Pelle Carlberg
Halleluja! - Ingenting
Humdrum - Pallers
Call It Ours - The Legends
1999 - Suburban Kids With Biblical Names
This Heart Is a Stone - Acid House Kings
Dare - The Mary Onettes
David - The Radio Dept.
Die 5times Times5 - South Ambulance
Between the Lines - Sambassadeur
Baby I Love Your Way - IRENE
That Grim Reality - Wan Light

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Ótima dúvida

Por mais que eu simpatize com a banda, não consigo dizer que o segundo disco do Arctic Monkeys é bom. Acho o primeiro excelente e, talvez pela decepção com Favourite Worst Nightmare, tenha demorado muito a ouvir o terceiro e mais novo álbum da turma da Sheffield. Baixei e passei a semana com "Humbug" nos ouvidos. Não sei se é uma empolgação momentânea por ter escutado um disco muito bom, mas me pareceu melhor que o álbum de estréia. Só o tempo vai dizer. Na pior das hipóteses, criou-se uma ótima dúvida!



O disco é produzido pelo Josh Homme, cabeça-pensante do Queens of The Stone Age. E como uma coisa puxa a outra:


O batera da gravação original é o Dave Grohl, do Foo Fighters.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Dave

David Letterman não escreve as próprias piadas e muitas vezes as entrevistas são puro marketing de algum filme que vai ser lançado, mas alguém na equipe do cara entende bastante de música. E não é de hoje...

2010:


1983:


1991:


2008: