segunda-feira, 20 de abril de 2009

As desculpas e os fatos

Os relatos sobre a minúscula platéia do B52s, que tocou no Citibank Hall na sexta passada, são mais um capítulo dos fiascos de público em shows de rock no Rio de Janeiro. Radiohead não lotou. Kiss levou 15.000 para um lugar onde dava mais que o dobro disso. REM ficou às moscas num sábado, com uma Arena de tamanho considerável vazia.

E aí, a culpa é do preço do ingresso mesmo? Sabia que tem gente que paga R$ 2.000 pra ficar dentro de uma cordinha de micareta no carnaval? Atenção aos que já estão com pedras na mão: não estou dizendo que os preços de shows estão baratos. Estão caros mesmo. Mas culpar o valor dos ingressos é querer ver o assunto apenas por um lado. É proteger o seu.

Não temos uma rádio decente de rock porque, dizem, rock não tem público. O show do REM não lota porque a maioria não quer pagar 400 pratas para ouvir "Losing My Religion", a única música que eles conhecem. É um ciclo vicioso. O disco novo do REM não toca na rádio porque o público prefere Hip Hop, e o público mais jovem não conhece a banda porque não toca no rádio. E olha que estamos falando de caras com 30 anos de estrada. Um rapper americano zé-ruela que lançou o primeiro single ontem lota show em qualquer lugar. O que está acontecendo?

Agora, vamos aos fatos: em 1993, a moeda era o desvalorizado cruzeiro (tinha nota de 100.000 cruzeiros!); não existia mp3 (você só descolava discos com amigos ou em lojas); não havia como baixar música na internet; as fontes de novos sons eram a MTV (que sintonizava em UHF) e rádios que já morreram como a Flu FM.

Então, sem internet, sem mp3, só com duas rádios e um canal de TV... Era possível fazer uma coisa dessas?


Era.
:(

19 comentários:

atlantic disse...

PS: acho que a Globo tinha que abrir seus arquivos musicais. Em vez de passar novela à tarde, passa um compacto de um daqueles milhares de shows que eles têm arquivado.

É muita coisa boa pegando poeira nas prateleiras da emissora.

rodriguez disse...

Se eles fizerem isso minhas avós vão ficar muito, muito irritadas...

Anônimo disse...

cara, to igual à você. já não entendo mais nada. as pessoas estão se dedicando a ouvir música ruim. isso é triste.

Edmundo

SS disse...

A parada é a seguinte: com tantas novas mídias e formas de distribuição de música, dispersou-se o foco, e com isso não existem mais 'aqueeeles' nomes do rock, pois além do fato da MTV nao passar mais clipe, o Rio não ter mais a rádio cidade, e não haver mais grandes eventos de Rock como o Rock In Rio, é difícil ser uma banda com sucesso consolidado, vide que também com o mp3, deixou de existir 'O' disco... pegando musica por musica voce nao sabe de quando foi, qual era a fase da banda etc etc

resumindo: é o sexo dos anjos... talvez me inspire mais outro dia e continue...

piranhacamuflada disse...

acredito q tdo isso tb é fruto dessa "descartabilidade" do mundo atual, não existem mais fãs de verdade e sim os "temporários"...lamentável, nem vi o vídeo pq ando numa fase saudosista absurda, nem quero me lembrar dos maravilhosos Hollywood Rocks...:(

Aumenta que isso aí é Rock n' Roll! disse...

Concordo com todos. Acho que sim, a Globo deveria abrir mão dos seus arquivos e lançar "boxes", ao estilo "Lost" e afins. Os fãs iriam pirar o cabeção. E sim, a "descartabilidade do mundo atual" fez com que, principalmente os jovens, pulem de galho em galho, ou então ouçam rádio de "mano, tá ligado!" ou ainda que lotem shows de Ivete Sangalo e Victor e Léo.

Porra! Eu era feliz e não sabia. Long Live to Hollywood Rock. Tenho vários "vhs" com os shows antolágicos que passavam naqueles tempos.

Quanto ao L7, a banda era boa, pena que não durou. E quanto ao preço dos ingressos, acho salgadíssimo, principalmente para quem mora fora do eixo das capitais (o meu caso, interior do Paraná). Fica realmente difícil.

Havia de ser mais fácil com rádios tipo KISS FM, onde o rock perdura.

atlantic disse...

É bem por aí mesmo. A música se dispersou (o que, por um lado nem é tão ruim). A coisa desandou muito quando as gravadoras colocaram os marketeiros na cabeceira da mesa. Os caras só sabem pensar da seguinte forma: o que é mais barato de produzir? O que dá mais margem de lucro?

E foi nessa que o Axé ganhou as rádios e as TVs. Qualidade não é o foco desses caras. O lance deles é resultado.

***

Piranhacamuflada, dei uma lida no seu blog. É engraçada essa sintonia saudosista: semana passada puxei o disco do Faith No More gravado (e muito mal gravado) na Brixton Academy. Há uns 5 anos não ouvia o disco. Estive no show deles em 91, quando voltaram e tocaram no Maracanazinho.

atlantic disse...

Imaginem a revolução se a Globo começar a mostrar o show do L7 à tarde. Um especial da Elis Regina. Shows do primeiro Rock in Rio, etc.

Os pré-adolescentes que ficam em casa nesse horário vão começar a montar bandas. Duvido que não. Quando eu era da sexta série, quase toda turma do colégio tinha um bom guitarrista, geralmente cabeludo.

iga_rio disse...

Eu tava nesse Hollywood Rock... bons tempos aqueles..rs

Mas enquanto continuar esse lance de ingressos caros e o rio não ter uma radio rock... vai ser dificil mudar esse panorama :(

Nos ultimos tempos tivemos até uns poucos shows sold out por aqui.. tipo o Pearl Jam e 2005 na apoteose e se não estou enganado o Muse tambem lotou o Vivo rio. é mais pensando bem são poucos shows mesmo..

Giul, Discoteclando disse...

mtv em uhf, putz essa era uma época boa, ou era neste espaço-tempo em que os nossos preciosismos perderam para a ganância da indústria fonográfica que mal sabia que, com suas artimanhas, estava cavando a própria cova. mas mesmo assim, era uma época boa. eles até passavam clipes e no horário nobre!!!
Há tempos eu não vou em qualquer show!!! qualquer um mesmo!!!

Aumenta que isso aí é Rock n' Roll! disse...

Atlantic. A gente é muito saudosista. Faith No More. Muito bem lembrado. Eu tenho a discografia dos caras aqui, se vc quiser e achar que deve, manda o seu endereço que te envio com o maior prazer.

Aliás, eu tenho um sem número de discografias aqui. Quem sabe a gente não possa fazer uma troca, mais ou menos assim: "Olha, eu te gravo uma basf 90 com a discografia de fulano e vc me envia um aumentarock com a de sicrano", hahahahahah...

Ps.: A edição número 3 do Podcast está no ar. Dá uma conferida lá.

Grande abraço

ZARREF disse...

o Radiohead não lotou??
O_O

atlantic disse...

Guil, minha sede de shows está mais calma esse ano. Pra falar a verdade, até agora o show que valeu a pena foi o Kiss. Vou ao Oasis, mas não tenho grandes expectativas com os caras.

***

ZARREF, o Rio de Janeiro foi o único lugar na América Latina no qual o Radiohead não lotou. Tudo bem que a Apotesose não é fácil de lotar, mas eu esperava que fosse atrair público como o Pearl Jam. Afinal, era a primeira vez da banda por aqui e o Radiohead é a cereja do bolo dos festivais da Europa.

Não fui ao show, mas os comentários de amigos não deixam dúvidas: o público do Radiohead no Rio não foi lá grandes coisas.

atlantic disse...

Alô, Luís Fernando!

Cara, acompanhei o Faith No More até o disco "King For a Day". Depois acabei partindo para as bandas britânicas. O carinho pela banda de Mike Patton ainda existe.

Lembrei que, em 92 ou 93, eu ganhei um cd do Angel Dust, o terceiro álbum deles. Só que eu não tinha cd player! Quase ninguém no Brasil tinha. Resultado: fiquei uns 7 meses só olhando pra capa do disco. Absurdo! :)

Vamos fazer um intercâmbio de discos gravados, sim. Depois trocamos endereço por e-mail.

Abraços!

Bem disse...

A Globo já lançou um DVD com os clips da Clara Nunes do Fantástico... em breve elaça algo do naipe do Mixto Qunte (alguém lembra disso?)

atlantic disse...

Li que a gravadora vai lançar o famoso show do Nirvana em Reading, 1992. Mais uma coisa que podia passar na Sessão da Tarde!

***

Bem, tenho um amigo na faixa dos 40+ que esteve no Mixto Quente. O cara tá doido por esse DVD. Ele sempre conta que o rock era tão embrionário no Brasil que o show foi na praia, de graça e não chegou a ficar muito cheio.

Aumenta que isso aí é Rock n' Roll! disse...

Alô Atlantic! Vamos trocar sim, com muito gosto. Eu também sou fã do Faith No More, acho que foi um passo para as bandas de BritPop.

Sempre digo pros meus amigos que ao invés de progredir, regrido no som, por que cada vez descubro bandas boas que ficaram no passado, hehe...

Um grande abraço. Ps.: Estou baixando o Justine.

Bem disse...

O Mixto Quente era uma série de shows que rolaram lá no Recreio. Tinha o paralamas com o Herbert Viana ainda de Oculos e o Detrito Federal com a Syang novinha...

Bem, com isso já entreguei minha idade.

atlantic disse...

Luís, também vivo esse momento de olhar para trás e descobrir bandas e sons espetaculares do passado. É impressionante quanta coisa "inédita" aparece!

***

Bem, de quebra você entregou a Syang também... :)