“Por que você pagaria para me ver numa jaula que alguns chamam de palco?” é a pergunta que saiu do primeiro single do Babyshambles, banda liderada pelo ex-Libertine e atual colega de apartamento de Amy, o doidão Peter Doherty. A frase me veio à cabeça na primeira noite de shows da cantora no Rio. Esses dois devem passar as noites batendo longos papos sobre suas carreiras (com duplo sentido, claro).
A imprensa brasileira imprimiu que Amy é o Tim Maia britânico, que o show dela é imperdível, que ela é genial. Todas as matérias começam do mesmo jeito: falam do talento, das confusões, da oportunidade de volta por cima diante do público brasileiro. Mas o que se viu ontem numa arena lotada estava longe de ser a volta por cima. Foi só mais uma das cambalhotas de uma carreira muito irregular nos palcos.
A voz estava razoável, bem longe da apresentação-desastre em Lisboa. Os tropeços enquanto caminhava pelo palco eram visivelmente ensaiados e foram um tanto ridículos. Sua banda ficou perdida mais de uma vez com os já previsíveis imprevistos. Amy é um personagem que sai do palco a qualquer momento, que pára de cantar para rir e que, na frente de milhares de pessoas, apareceu para cumprir tabela e ficar em cena o mínimo de tempo previsto no contrato que assinou. Depois dos 10 primeiros minutos, tudo foi esquecível.






